Entrevista a Ricardo Pateiro

Ricardo Pateiro, locutor da TSF, acompanha o futebol como ninguém. Começou por uma rádio local, a rádio linear. Revelou que a sua situação profissional não favorece o acompanhamento da família, mas diz que a família compreende a situação. Ricardo Pateiro, em entrevista aberta, aqui no AutoGolo.

Quando é que soubeste/sentiste que querias ser locutor?
Senti muito cedo esta paixão de relatar os jogos. Tinha 17 anos e a 1ª experiência foi numa rádio pirata. Naquele momento, senti logo que queria fazer disto vida.

Qual foi o primeiro jogo que relataste?
O primeiro jogo que eu relatei foi um dérbi, Varzim vs. Rio Ave. Foi um relato para a Rádio Vila do Conde, agora chama-se Rádio Linear, e foi um dérbi. Podem imaginar a tensão que eu tinha, agravada ainda por ser a minha primeira intervenção na rádio e no desporto como relatador. Aproveito para mandar um grande abraço ao meu amigo Paulo Vidal. É ele que desempenha atualmente essas funções na Rádio Linear.

Uma das coisas que te carateriza, é as músicas que cantas sempre que um jogador marca um golo. Quando é que cantaste a primeira e para que jogador?
A primeira música que eu cantei foi um risco, era uma novidade e não sabia como as pessoas iam reagir. Felizmente correu bem. Foi num jogo Europeu, Porto vs Vila Real. A música foi dedicada ao Falcão.

Tu és daltónico. De que forma é que isso afeta o relato do jogo?
Não me afeta nada. Como sabem há diferentes graus e eu sou um daltónico de “baixo grau”. As únicas cores que confundo por vezes são o castanho/verdes escuros, cinza/branco. Nada de relevante.

Fazes-te sempre acompanhar de rebuçados para a tosse. Alguma razão em especial?
Não existe nenhuma razão especial. Os rebuçados é que são muito, muito bons e eu não passo sem eles sempre que vou para um jogo. Digamos que os utilizo como lubrificante para as minhas cordas vocais.

Qual é o ritual de um locutor antes de relatar um jogo?
Eu em especial, não tenho nenhum ritual. Tenho sim é o cuidado de preparar o jogo em casa, informo-me o máximo sobre as equipas. Levo sempre comigo uma água natural, auscultadores e cronómetro (tenho uns só meus) e de inverno, quando está muito frio, levo uma manta para as pernas e pés.

Trabalhas praticamente todos os fins-de-semana: como é que isso se reflete na tua vida familiar? Como é que a família encara a tua situação profissional?
É uma situação muito complicada, porque embora a família encare bem, respeita e apoia-me, não é agradável não ter muito tempo no fim-de-semana para ela. No fim-de-semana, as famílias costumam-se reunir para almoçar, coisa que eu raramente faço porque trabalho. Embora saibamos gerir bem esta situação, é sempre “triste” porque no fim-de-semana raramente estou em casa. Tenho pessoas conhecidas que dizem: “Depois durante a semana, quando tens um dia ou outro de folga, compensas a tua família”. Mas sabemos perfeitamente que isso não é verdade, porque durante a semana está a família toda a trabalhar. Há mais de 20 anos que não paro durante os fins-de-semana, a não ser quando o campeonato está parado por alguma razão e durante o período de férias dos clubes.

Que jogo é que te deu mais gozo relatar?
Sem dúvida nenhuma o Porto vs. Celtic em Sevilha. Final da Taça UEFA em 2003, com o Mourinho a treinar o Porto. Foi um jogo frenético, com prolongamento e muitos golos. Que emoção!

Que jogadores é que realças do campeonato português?
Jackson Martinez, João Moutinho, Pablo Aimar e Salvio.

Quem é o teu melhor amigo da rádio?
Ao longo de mais de 20 anos de carreira, como devem imaginar, eu conheci muita gente e também fiz grandes amizades. Estar a individualizar, estaria a ser injusto com muitos colegas.

No mundo do futebol, que outros profissionais admiras, sem ser jogadores?
Rui Cerqueira, João Gabriel, Fernando Santos, Toni, Professor Henrique Calisto e Artur Soares Dias.

Tens algum episódio com algum adepto que queiras contar?
Tenho um episódio que foi o maior elogio que já recebi até hoje. Uma vez, um adepto invisual disse-me: “nunca deixes de relatar porque sem ti, eu deixo de poder ver o futebol”. Esta frase tão pequena simboliza imenso para mim. Óbvio que estava a ser exagerado, porque existem outros locutores muito bons, mas eu, naquele momento, senti-me a pessoa mais feliz do mundo porque era o maior elogio que alguma vez poderia receber.

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